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Historial



FERNANDA ABREU

Aberta por samba de surdo e pandeiro que se desenrola num funkão “Padroeira debochada”(Fernanda/Fausto Fawcett/Maurício Pacheco), outra anti-ode a Copacabana, nasceu das conversas semanais que costuma ter com o parceiro Fausto Fawcett (presente na faixa), onde concluiu que não há mais para quem rezar.


“Não tem pra Jesus Cristo/ E São Sebastião?/ não tem pra ninguém”. “Vida de rei” (Fernanda/César Faria/Ivo Meirelles) exalta – com a participação e parceria do próprio – a figura do mangueirense Ivo Mereilles. “Ele nasceu e cresceu e se projetou na Mangueira. É um exemplo para mostrar que a favela não forma só reis do tráfico de drogas”, separa ela.  Já “A onça” (Fernanda Abreu/Rodrigo Campello) decupa com minúcia poética o estado de tensão do animal urbano entre a jaula, o medo e a raiva. A voz da cantora é trabalhada eletrónicamente num realce que configura o pano de fundo vibrante do disco, todo pautado no estúdio da cantora, o Pancadão, localizado perto de sua casa. A utilização do “scratch” a partir de CDs foi possível graças ao equipamento CDJ-1000, da Pioneer que ela adquiriu especialmente. “Todos os samples usados são de gravações do próprio disco”, detalha.

“Na paz” fecha com dois sambas. Um inédito, “Sou brasileiro”(Jovi Joviniano/Thomaz de Aquino), “uma versão menos ingénua do mesmo tema da faixa de abertura”, e o clássico “Não deixe o samba morrer” (Edson/Aloisio), sucesso de Alcione de 1975. “Esta música transmite-me um sentimento primitivo do que é o Brasil, um país hoje meio descaracterizado pela conjuntura internacional. É como fazer uma terapia por hipnose para recuperar essa essência perdida”, acredita. Entre a maturidade e a reflexão, os “grooves” e levadas inventivos do substancial “Na paz” sacodem o esqueleto mas não deixam ninguém de cabeça oca.



DATA

18 de Jun. de 2004
Lisboa – Monsanto (CML)